Mantenha a calma com os títulos públicos

Entendendo a oscilação dos títulos públicos

Com a vitória quase que inesperada de Donald Trump na corrida presidencial norte-americana, os mercados mundiais passaram por momentos de pânico nos últimos dias. Dólar se fortalecendo frente as outras moedas mundiais, bolsas de mercados emergentes caindo e commodities valorizando.

Aqui no Brasil não foi diferente. Dólar subindo mais de 7%, juros de longo prazo subindo e a bolsa caindo por volta de 4% até agora.

Quem está acostumado a investir em ações, pode não ficar assustado. Mas, quem investe em renda fixa, também sofreu perdas. Por que?

Poucas pessoas entendem como funciona a dinâmica de um título público e como isso afeta seu bolso no curto prazo.

Os títulos públicos (TP) são sempre vinculados a taxa de juros da economia. Quando se investe em um TP, você pode escolher entre pré-fixados, vinculados a SELIC e atrelados ao IPCA.

Se você optar, por exemplo, por um título pré-fixado pagando 10% ao ano, você saberá exatamente o quanto o seu título vai render no vencimento. Se a taxa básica de juros cair, você receberá 10% ao ano no vencimento e, se ela subir, receberá também 10%.
Mas, o título público possui o chamado Valor Unitário (mais conhecido no mercado como P.U). Como os TPs tem liquidez diária, o mercado define um preço para que aquele título possa ser vendido. Vamos a um cenário hipotético:

Você comprou um título pré-fixado, com vencimento em 2035 e taxa de juros de 10% ao ano. Se a taxa básica de juros cair, seu título terá um PU valorizado porque os títulos que estão à venda agora, pagam uma taxa de juros menor. Digamos que 7%. Então, para exemplificar, você possui um carro mais potente que os que estão sendo vendidos no mercado. Ou seja, seu carro vale mais.

Mas, se ao invés de cair, os juros subirem para 20%? O PU do título público comprado a 10% será desvalorizado. Então, se você quiser vender nesse momento, terá que ter um desconto, pois seu carro é menos potente que o que está à venda no mercado.

Como as previsões apontavam para uma queda nos juros maiores em 2017, a vitória de Donaldo Trump deixou o cenário um pouco mais complicado e com aversão ao risco maior. Desse modo, talvez o Banco Central brasileiro seja mais prudente e diminua os juros de uma maneira mais branda do que a prevista. Por isso toda essa volatilidade em títulos públicos e fundos multimercados. Então, os TPs comprados no passado não serão tão mais potentes dos que estão sendo vendidos agora, porque os juros cairão de uma forma mais branda.

Notem também que esse mês os fundos multimercados apresentarão um rendimento aquém do CDI. Esses fundos possuem um pilar de sua estratégia de investimento em curva de juros. Falando em português claro, eles operam os juros futuros. Como as taxas oscilaram bastante de uma forma abrupta, as operações acabaram dando prejuízo. Sem contar que alguns também possuem títulos públicos e ações – que, como já sabemos, oscilaram bastante.

Como o portfólio de sua carteira é planejado para o longo prazo – no vencimento dos títulos –  essas oscilações de mercado não influenciam o rendimento. Pode assustar em um mês ou outro, mas no longo prazo o rendimento é consolidado.

 

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